EM DEFESA DO PRÉ-MILENISMO BÍBLICO
Seria um desacerto bíblico confiar demasiadamente em certas suposições do que enxergar fatos clarividentes da narrativa milenista na Bíblia Sagrada. São relatos claros apresentados por Cristo em seus ensinos, pelos profetas em suas mensagens e pela igreja representada pelos apóstolos.
Cremos que na Bíblia há respostas às questões básicas levantadas em todas as épocas e em todos os lugares. Entretanto, a questão que está sempre presente na mente e no coração de todos os seres humanos é a questão relacionada com o futuro. Há três escolas principais de interpretação dos “mil anos”; relato de Apocalipse 20.1-7: Os pós-milenistas e os amilenistas que de certa forma defendem a “não existência” do reino milenar “literal” de Cristo e, consequentemente o reino futuro de Israel; e completando, a teologia bíblica dos pré-milenistas.
Quero neste tratado sair em defesa do pré-milenismo, por entender e crer, na instauração do reino milenar num futuro bem próximo e na interpretação literal das profecias. Durante os primeiros cinco séculos os cristãos criam na vida após a morte, na segunda vinda do Senhor Jesus, na ressurreição dos mortos, no julgamento final, em tribulações e na criação de um novo céu e de uma nova terra. Assim, como os cristãos dos primeiros séculos defendo que a vinda de Cristo precederá seu reinado de mil anos, compartilhada em companhia de seus remidos (justos), que são mencionados em 1 Tessalonicenses 4.13-17 como os únicos que ressuscitam e estarão presentes nesse glorioso evento. Não vejo neste texto a menção de “injustos” ressuscitados, e sim, entendo que em outro tempo virá a ressurreição geral dos demais mortos, e por fim, o julgamento geral e o estado eterno: para os justos (em gozo com o Senhor) e para os injustos (eternamente atormentados e esquecidos por Deus).
As ressurreições e seu tempo
Quero seguir um raciocínio lógico, e por que não dizer preciso, para confirmação de minha defesa. Abordo o texto de João 5.29: “E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”.
O Senhor Jesus nos mostra de forma clara nesta passagem, dois tempos distintos: “ a ressurreição da vida” que ocorre em um primeiro instante, e “a ressurreição da condenação” que ocorrerá em um segundo instante, ou seja, num período distinto da primeira ressurreição, por certo, num intervalo de mil anos.
Ø Como entendo a “ressurreição da vida”. 1) De acordo com o próprio texto, dela participarão somente os justos. Voltemos ao texto de 1Ts 4.16,17 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. Veja que o texto nos fala a respeito de arrebatamento (mortos e vivos justos), ressurreição de mortos (o verso 14 fala da ressurreição dos que dormem em Jesus, portanto só pode estar falando de “justos”, confirmado no verso 17). Pergunto: Onde estarão os mortos injustos que não aparecem nesta citação? Bem provavelmente que aguardando a ressurreição para juízo, em outro tempo.
O Texto de 1Co 15.23,24 fala da ressurreição de Cristo, que é as primícias e complementa o verso dizendo “depois os que são de Cristo”; entendo este trecho uma afirmação da ressurreição dos justos no momento do arrebatamento da igreja, ou seja, na segunda vinda de Cristo em sua primeira etapa: visível para os justos e invisível para o mundo, embora outras correntes não entendam dessa forma. A grande controvérsia é gerada em torno da “invisibilidade ao mundo” sendo que muitos outros textos afirmam que “todo olho o verá”. Mas se olharmos profundamente para o texto vemos, mais uma vez afirmo, o texto só fala de um evento relacionado para quem é “justo”, logo, só os justos contemplarão.
Logo em seguida no verso 24, o apóstolo Paulo faz menção ao fim de todas as coisas, fato que ocorrerá após o Reino Milenial de Cristo. Veja que claramente o apóstolo fala que esses eventos ocorrerão quando o Senhor aniquilar de uma vez por todas todos os seus inimigos.
2) Um segundo grupo de “ressuscitados” aparece na história, o que é percebido através do relato de Apocalipse 20.4 “e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos”.
As “almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus”, faz-nos voltar a história da igreja em Atos dos Apóstolos que é delineada com sangue. Posso aqui citar a morte de Estevão em Atos 7 e os mártires de Hebreus 11, mas certamente estes também farão parte dos “arrebatados”. Os “degolados” aqui mencionados são aqueles que não aceitarão o sinal da besta e nem a adorarão, e como conseqüência perderão as suas vidas por amor a Cristo. Este fato ocorrerá no período da Grande Tribulação, há unanimidade teológica a respeito desse evento escatológico, pois é nesse período em que haverá a atuação da besta. Não podemos concordar com a tese de que a igreja passará pelo período da Grande Tribulação. A “abreviação daqueles dias” (Mt 24.22) é de fato mais uma demonstração da eterna misericórdia do Senhor. Costumo dizer que os sete anos de Grande Tribulação é o período final do tratar de Deus para com Israel, mas nem por isso outros que não sejam de Israel, passarão por esse período ser serem notados por Deus. Pelo contrário, muitos pagarão com sua vida, e é por causa destes e em especial Israel que Deus abreviará aqueles dias, pois muitos não suportariam. A igreja tem passado pelo “principio de dores” (Mt 24.8), mas da “tribulação” e da “grande tribulação” (Ap 7.14), somente aqueles que aqui ficarem!
Agora complemento esta passagem “e viveram (ressuscitaram), e reinaram com Cristo durante mil anos”, este é outro evento da primeira ressurreição.
3) E por fim, encontramos um outro grupo de “justos” que é mencionado em algumas passagens da Bíblia Sagrada, “Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34); “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2).
Neste ato estarão presentes os “justos” que certamente morrerão durante o período do governo milenar de Cristo, e, provavelmente, os justos do Antigo Testamento que juntamente ressuscitarão por ocasião do juízo final, bem como, os injustos de todos os tempos. É certo que as palavras aqui mencionadas aos justos “vinde benditos... e possui... o reino” não será dirigida somente àqueles que já participam do reinado do Senhor, e sim, em especial a uma outra leva de justos de um outro período, e, assim entendemos, serem os mortos já mencionados neste período. Paulo nos diz: “Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1 Co 15.25,26). A morte no milênio será fato raro, mas ainda existirá, pois é o último inimigo a ser aniquilado como diz o próprio versículo, mas disso falarei mais adiante.
O que posso discernir nos eventos mencionados, que há distinção óbvia da ressurreição por fases, da ressurreição única defendida pelos amilenistas. Em cada uma delas há um grupo distinto de participantes para confirmação das escrituras, ao ponto que a tese amilenista se respalda na ressurreição em um só tempo para justos e injustos, ou numa ressurreição pós milênio para uma outra linha teológica. Pergunto: em que página na história da humanidade entraria então, os inúmeros relatos que passo a discorrer a seguir.
O Reino e Seus Aspectos
“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11.36).
O Senhor Deus nos mostra que é necessário conhecermos o seu plano e propósito desde a sua perspectiva. Devemos divisar o eterno e não somente o temporal.
Desde a queda, o homem, cego, continua a colar-se a si mesmo como centro. Partindo de seu próprio ponto de vista, resulta em conceitos torcidos a tal ponto que, às vezes, parece que a Igreja está apresentando um Deus que opera e existe inteiramente em favor do homem, de seu benefício, seu bem-estar, benção e felicidade. O nosso ponto de partida sempre deve ser Deus o Pai, e nunca o homem. O homem existe por causa de Deus e não Deus por causa do homem.
Diante deste quadro, resta-nos concordar inteiramente com um trecho de certo artigo: “Um outro problema é que alguns aspectos da verdade tem sido exageradamente enfatizados, ainda que particularmente desempenhem um papel importante. Outros, todavia, tem sido quase que neutralizados em sua influência porque temos ignorado o grande “todo” do qual fazem parte”. (Moacir R. de Oliveira – Igreja em Porto Alegre)
Posso esclarecer que há um propósito eterno e que nunca foi influenciado pelo tempo. Podemos fazê-lo pela declaração de Paulo em Efésios 1.4: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo...”.
O Pai designou que Jesus Cristo é o princípio e o fim de todas as coisas (Cl 1.15-20), o Alfa e o Ômega.
Deus quer encher todas as coisas consigo mesmo para, na plenitude dos tempos, “ser tudo em todos” (1Co 15.24-28), instalando um reino que seja finalmente inabalável e eterno (Hb 12.26-29).
O reino de Deus é a vitória final sobre o pecado. É a reconciliação do mundo com Deus, que proporcionará ao mundo algumas conseqüências do agir intervencionista do Criador. Digo muito mais, esta presença é real, pois já se pode notar os efeitos dessa reconciliação entre Deus e o homem. O objetivo da implantação do sistema teocrático (governo de Deus) na terra é a concretização de um novo governo, uma nova era, um novo céu e nova terra.
Ao examinarmos os relatos do evangelho, percebe-se que não é fácil definir o Reino de Deus. Algumas poucas passagens apresentam o reino com o significado abstrato da autoridade real ou o poder de reinar. Por outro lado um bom grupo de passagens alude ao reino como algo presente, como um poder dinâmico que atua entre os homens. Em outro aspecto um grupo semelhante ao anterior indica que o reino é uma esfera na qual os homens entram. Em razão de minha defesa não poderia deixar de falar de um outro grupo que apresenta o reino como algo completamente futuro, escatológico e apocalíptico. Vemos então através das linhas anteriores a caracterização do “Reino” sob dois aspectos: o reino espiritual e o reino físico.
O Reino Espiritual
Jesus anunciou, no início do seu ministério, que o reino havia chegado (Mc 1.15), mas em Mateus 12.28 disse que o reino havia chegado quando ele lançava fora os demônios. Posto que Jesus praticou a expulsão de demônios quase desde o princípio de seu ministério (Mt 4.23), fica claro porque, ao anunciar o reino, referiu-se a sua própria presença e autoridade. A estas alturas, não importavam os demais elementos do reino, tais como: súditos, leis, ou território, e sim somente o rei e sua autoridade real. Neste contexto Jesus estava confirmando as palavras do seu precursor “é chegado o reino dos céus” (Mt 3.2). Ao dirigir-se aos homens anunciando a presença do reino, João Batista, bem como, o Senhor Jesus, estava a falar de algo espiritual, algo que os homens ainda não compreendiam, principalmente, os de Israel que esperavam um reino de glórias terrenas. Deus neste instante inaugura um “reino espiritual” que alcançaria todas as raças em todos os tempos na história humana.
O propósito do reino era muito mais do que a satisfação das necessidades físicas; envolvia também uma luta sem tréguas contra Satanás. Jesus explica que o reino de Deus tem como fim conquistar a autoridade e o poder do reino de Satanás. Em uma das passagens bíblicas Jesus fala claramente aos apóstolos algo relacionado ao que aconteceria ao mundo da aproximação de sua partida: “Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim” (Jo 14.32). Em outra passagem João, o evangelista, diz: “o mundo (e todo o seu sistema) está no maligno” (1 Jo 5.19); é evidente que o império do maligno tem atuado no mundo e o que ainda impede a sua ação destruidora é a influência do “reino espiritual” presente na igreja na pessoa do Espírito Santo: “Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado” (2 Ts 2.7). Um outro fato é de que ele mesmo pode amarrar o homem forte (Satanás), para o seu próprio reino, demonstra a poderosa presença do reino (Mt 12.29). Em outras palavras, aí está a salvação, aí está a confirmação deste “reino espiritual”. Por isto, o homem deve buscar o reino acima de todas as coisas (Mt 6.33) e recebê-lo como uma criança (Mc 10.15), já que o reino não está longe, e sim está entre os homens (Lc 17.21).
O Reino Físico
Certas passagens que falam de entrar no reino tem conteúdo escatológico. As bem-aventuranças falam do reino como galardão futuro. (Mt 5.3-12; Mc 9.47; 10.23).
Talvez alguns controversos ao se depararem com o texto de Mateus 25.31-46, confundam as declarações de Jesus com relação ao reino. Embora muitas passagens a esse respeito criarem uma série de interrogações, entendo Jesus narrar em um contexto geral e amplo a seqüência dos últimos acontecimentos desde o inicio da implantação do seu “reino físico” até o momento crucial e final onde vemos claramente o momento do “juízo final”. Este “reino físico” será o tempo da regeneração quando os discípulos participarão da administração do reino (Mt 19.28; Lc 18.29). As “ovelhas” entrarão no reino preparado desde a fundação do mundo (Mt 25.34).
Os evangelhos não especificam a natureza deste reino, mas ele será o cumprimento das esperanças proféticas, porque se estabelecerá o reino literal, terreno, político e moral que Deus quer impor.
Tanto João Batista (Lc 7.19) como os discípulos (At 1.6) estavam perplexos porque o reino não apareceu em forma literal no tempo de Jesus. Para uma explicação da aparente promessa de uma pronta chegada do reino leia (Mt 10.23 e 16.28). Efetivamente o triunfo de Jesus na cruz é visto pelos cristãos como um ato escatológico, porque seu sacrifício, confirmado e aprovado pelo ato divino da ressurreição, logrou-nos a vida eterna. Jesus, então, inaugurou o reino, sem levá-lo a sua consumação.
Durante o atual período intermediário, os discípulos proclamam o senhorio de Jesus em todo o mundo, e quando esta tarefa terminar, manifestar-se-á gloriosa e publicamente o reino de Deus, na parusia (manifestação) do Senhor Jesus Cristo.
De conceito central na mensagem de Jesus o reino de Deus passa a ser um tema a margem no resto do Novo Testamento. Paulo fala do aspecto presente do reino. Em 1 Coríntios 4.20 ele afirma que a característica deste reino é a manifestação do poder de Deus, e isso vivenciamos e participamos, porque “os sinais seguirão aos que crerem”; e aos Colossenses ele prova a condição da humanidade “em trevas” e o novo estado em Cristo “transportado para o reino do filho” (Cl 1.13). Salienta o aspecto futuro: os maus não herdarão o reino (1 Co 6.9,10; Gl 5.21; Ef 5.5). O reino virá com a manifestação de Jesus em sua segunda vinda (2 Tm 4.1); depois de dominar todos os seus inimigos, o Senhor Jesus entregará o reino ao Pai para que Deus seja tudo em todos (1 Co 15.23-28).
A palavra final do reino se encontra no Apocalipse que relata como os reinos deste mundo chegam a ser o reino de nosso Senhor (Ap 11.15) e, “E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite”. (Ap 12.10). Observem que neste texto está inserido a resposta (em negrito) para a confirmação do reino milenial de Cristo. O império do mal é derrubado, Satanás é preso e o mundo passa a viver a influência dum reinado perfeito, o de Jesus.
Jesus também é chamado ali de Senhor dos senhores e Rei dos reis (Ap 17.14; 19.16). Porém ele não reina sozinho, mas junto com os seus durante mil anos (Ap 20.1-10). Depois do juízo do grande trono branco segue o aspecto eterno do reino, quando aparece um novo céu e uma nova terra (Ap 21.1); uma existência na qual não cabe o mal de nenhuma espécie (Ap 21.27). Este reino eterno representa a vitória final da justiça.
O Milênio
Papias, discípulo de João, era milenista entusiasta. Justino Mártir, que viveu cerca de 135 d.C., escreveu acerca do Apocalipse de João: “E, além disso, um profetizou em uma revelação que lhe foi feita, de que aqueles que confiassem em Cristo passariam mil anos em Jerusalém, e que depois da ressurreição universal eterna de todos ao mesmo tempo, terá lugar o juízo”. (“Diálogo com Trifo”, 81). Aqui a crença no milênio, como realidade literal, pois, é bem antiga, envolvendo nomes excelentes, antigos e modernos, não podendo ser desprezada em hipótese alguma.
A palavra “milênio” – termo que vem do latim: “Mille” e “annus”, mil anos. O termo “chilliasma” também é usado para aludir ao milênio, e essa outra palavra vem do grego e tem o mesmo sentido que aqueles termos latinos. Teologicamente alguns fazem diferença entre os milenistas e os quiliastas. Os primeiros creriam em mil anos de uma idade áurea; os últimos creriam nisso, embora pensem que haverá no mesmo a restauração do antigo judaísmo, com um reino davídico, tendo como rei o próprio Davi, com seus sacrifícios, etc, pensando que as profecias do Antigo Testamento se cumpririam “mui literalmente”, naquilo que dizem respeito ao milênio e essas condições.
O milênio será uma intervenção divina, como são intervenções divinas, muitos dos acontecimentos descritos neste livro. O milênio envolverá o reinado literal de Cristo. Alguns estudiosos pensam que Cristo reinará visivelmente, ao passo que outros pensam que seu espírito governará este mundo e todo o universo, particularmente por meio de seus representantes. Mas creio ser um reinado literalmente visível, palpável, sentido, vivido, desfrutado e reconhecido.
Argumentos Acerca do Milênio
Ø Amilenista - Essa idéia repousa sobre um total conceito simbólico de Apocalipse 20.4. Tal termo “amilenista” significa somente que não haverá milênio e nem reino terrestre, e nem alguma era áurea, etc. Os mil anos mencionados aqui, seriam apenas símbolo de alguma outra coisa, menos de qualquer período áureo, etc. Talvez pensem no triunfo pessoal de Cristo sobre o mal. Alguns estudiosos amilenistas não negam qualquer forma de milênio, mas buscam alguma outra explicação para o reinado de mil anos, como se isso não envolvesse qualquer estrutura social e política nos últimos dias. Alguns deles afirmam que o milênio é apenas o símbolo do “descanso completo”, o qual Deus dará ao seu povo, e por isso, alguns o confundem com o “estado intermediário dos crentes”, antes da “parousia”, sob o ponto de vista “escatológico”. Mas a maioria dos que tomam esta posição parece crer que o conceito do milênio é apenas símbolo das bênçãos da experiência cristã nesta vida material. A fraqueza deste ponto de vista é que ignora as predições do Antigo Testamento, que definidamente exigem a renovação de Israel em um período áureo. Também ignora as tradições judaicas sobre este tema, que João, naturalmente, tomou por empréstimo (Essa posição oferece uma explicação menos do que satisfatória de Ap 20.4, impondo sobre esta passagem a idéia de que um súbito cataclisma, quando da vinda de Cristo, dará início, ato contínuo, ao estado eterno. Também é contrária, esta posição, ao que dizem os místicos contemporâneos, que vêem claramente a inauguração de uma era áurea na primeira quarta parte do século XXI, após uma Quarta Guerra Mundial).
Ø Pós-milenista - Essa é a posição que diz que a vinda de Cristo não antecederá, mas antes, seguir-se-á ao milênio, o qual, por sua vez, é definido como uma espécie de conversão da humanidade por meio dos esforços da igreja. Agostinho, em sua “Cidade de Deus”, parece ter sido o progenitor dessa idéia. Supunha ele que a Igreja não somente converteria o mundo, mas também o governaria de modo bem real, produzindo uma áurea espiritual. A vinda de Cristo ocorreria em resposta a isto, não sendo a “parousia” o agente da introdução do milênio. Segundo esse ponto de vista, a “primeira ressurreição” consiste da participação na ressurreição de Cristo, “espiritualmente falando”, nada tendo a ver com a ressurreição do corpo. O pós-milenismo tende a ir morrendo nos tempos modernos, conforme o mundo vai piorando e a igreja vai se corrompendo e se debilitando. Contra tal posição, pode-se dizer que as Escrituras nunca prometem essa forma de triunfo a Igreja, no nível terreno, sem alguma intervenção divina direta, tal como é a “parousia”, ou segundo advento de Cristo. O processo histórico não tem produzido qualquer período áureo, e nem há grandes possibilidades disto, diante da ameaça das guerras atômicas.
Ø Pré-milenista - Esta posição pode ser dividida entre a posição ordinária dos pré-milenistas, e daqueles que tendem para o exagero “quiliástico”. Este último enfatiza a nação de Israel, em sua restauração em todos os aspectos, com seu reino davídico, seus ritos, cerimônias, sacrifícios no templo de Jerusalém, etc.
De conformidade com os argumentos pré-milenista, certos acontecimentos antecederão ao milênio. A principal idéia defendida é a do retorno iminente de Cristo para vir arrebatar a Igreja. Classificamos àqueles que crêem no arrebatamento iminente de “pré-milenistas/pré-tribulacionistas”. Os milenistas ordinariamente acreditam que surgirá um anticristo pessoal na cena mundial, e de que haverá uma grande tribulação. Essa será uma época de tribulações sem precedentes, tanto para a nação de Israel como para a Igreja cristã. As profecias tanto as do Velho Testamento como as do Novo Testamento, anunciam um Reino visível no futuro, tendo a Jesus Cristo como soberano Senhor, reconhecido em toda a terra como REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES (Ap 19). Creio segundo a palavra profética, que este Reino terá a duração de mil anos (Ap 20). Este Reino de Cristo será tanto político como espiritual. A Igreja terá um papel importante na administração deste Reino, tanto como a Nação de Israel, que deixará de ser cauda e passará a ser reconhecida como a cabeça das Nações. Cumpre-se aqui a promessa de Deus a Israel relacionada a ocupação dos termos físicos e territorial da nação (Dt 19.8; Gn 15.18; Js 1.4), pois a faixa de terra hoje ocupada por Israel não é toda aquela prometida por Deus. Neste período teremos chegado até a restauração do homem, da igreja, de Israel, do Reino, e da terra e das nações, faltando se completar (depois do milênio) a restauração final e única em que a criação que ora conhecemos, terá chegado ao seu final, e Deus então criará novos céus e nova terra, nos quais habitarão eternamente a justiça, o amor e a paz sem fim, como já citei anteriormente.
Características do milênio
Ø Prevenção da total destruição da Terra, o que sucederia em face da tribulação.
Ø A revelação universal de Jesus Cristo (ver Ap 19.11 e Dn 7.13, 14). Cristo reinará. A nação de Israel se converterá a ele. Todas as nações lhe prestarão lealdade.
Ø O novo paraíso ou era áurea. Toda a vida, em seus aspectos científico, social e espiritual, fará progressos impressionantes. O mal será removido da face da terra. A duração da vida dos homens será fantasticamente aumentada. Diz-se que alcançarão a idade das árvores, mas ainda a morte não foi destruída.
Ø Será um período de teste, e nem todos os homens sair-se-ão dele triunfantes (estando excluídos da derrota, naturalmente, os remidos): O mal retornará uma vez mais por breve tempo. (Ver Ap. 20.7 e ss).
Ø Será um período de preparação para o estado eterno, uma transição do mundo antigo para o novo mundo, da antiga criação para a nova (Comparar com Ap 21 e 22).
Ø A terra inteira será renovada (ver Is 11.6-9). A paz governará juntamente com a santidade (ver Is 2.3,4).
Ø A raça humana será renovada. Uma humanidade muito mais espiritualizada terá lugar, ao invés dos guerreiros tribais de hoje (ver Is 65.20). Haverá morte, mas tornar-se-á muito rara, como já dito antes.
Ø Todos os seres humanos conhecerão a Deus. Haverá progresso espiritual, ainda que não perfeição. Essa será a principal característica do milênio (ver Is 11.9).
Ø Israel será renovada e tornar-se-á cabeça das nações (ver Is 12.6, 11.12,13 e 14.1,3).
Condições e Características existentes no Milênio
Onde encontrará espaço na história aos fatos relacionados a condição, ao serviço, as ocorrências, as promessas e muitas outras manifestações que são claramente apontados nas Sagradas Escrituras.
Grande parte das Escrituras se dedicam a declarar as bênçãos e glórias que serão derramadas sobre a terra, mediante o Reino do Senhor Jesus, demonstrando a "grandeza de seu reino". (Dn 7.27). Podemos segundo as Escrituras, estabelecer vários aspectos que envolverão os mil anos de reinado de Cristo sobre a terra. Estes aspectos incluem o espiritual, o ético, o social, o físico, o político, o eclesiástico e o econômico. O Reino de Deus se manifesta de três maneiras diferentes: em primeiro lugar como um reino invisível dentro do homem (Lc 17.21) e em segundo lugar como uma esfera de governo em que Jesus tem a autoridade absoluta (Mt 28.18-20) e em terceiro lugar como um reino real e visível. (Ap 20.4-6 / milênio).
Ø Paz - A completa eliminação das guerras, mediante a unificação dos reinos do mundo que serão todos submetidos ao domínio de Cristo, junto com a prosperidade econômica. A Paz nacional e individual será fruto do reinado do Messias. Is 2.4; 9.4-7; 11.6-9; 32.17-18; 3.5-6; 54.13; 55.12; 60.18; 65.25; 66.12; Ez 28.26; 34.25,28; Os 2.18; Mq 4.2-3 - Zc 9.10
Ø Gozo - A plenitude do gozo será característica distintiva dessa era. Is 9.3-4; 12.3-6; 14.7-8; 25.8-9; 30.29; 42.1,10-12; 52.9; 60.15; 61.7,10; 65.18-19; 66.10-14; Jr. 30.18-19; 31.13-14; Sf 3.14-17; Zc 8.18-19; 10.6-7.
Ø Santidade - O reino teocrático será um reino santo, no qual a santidade se manifestará através do Rei e dos súditos do Rei. A terra será santa, a cidade será santa, o templo será santo e os súditos serão santos para o Senhor. Is 1.26-27; 4.3-4; 29.18-23; 31.6-7; 35.8-9; 52.1; 60.21; 61.10; Jr 31.23; Ez 36.24-31; 37.23-24; 43.7-12; 45.1; Jl 3.21; Sf 3.11,13; Zc 8.3; 13.1-2; 14.20-21.
Ø Glória - O reino será um reino glorioso, no qual a glória de Deus terá plena manifestação. Is 24.23; 4.2; 35.2; 40.5; 60.1-9.
Ø Consolo - O Rei ministrará pessoalmente em cada necessidade de maneira que haverá uma plenitude de consolo naquele dia. Is 12.1-2; 29.22-23; 30.26; 40.1-2; 49.13; 51.3; 61.13-14; 66.13-14; Jr 31.23-25; Sf 3.18-20; Zc 9.11-12; Ap 21.4.
Ø Justiça - Haverá uma administração perfeita de justiça para todo indivíduo. Is 9.6; 11.5; 32.16; 42.1-4; 65.21-23; Jr 23.5; 31.29-30.
Ø Pleno Conhecimento - O ministério do Rei oferecerá aos súditos de seu reino o pleno conhecimento. Sem dúvida haverá um ministério de ensino do Espírito Santo sem paralelo. Is 11.1-2,9; 41.19-20; 54.13; Hc 2.14.
Ø Instrução - Este conhecimento se obterá mediante a instrução que emanará do Rei. Is 2.2-3; 12.3-6; 25.9; 29.17-24; 30.20-21; 32.3-4; 49:10; Jr 3.14-15; 23.1-4; Mq 4.2.
Ø Remoção da Maldição - A maldição original que foi pronunciada sobre a criação (Gn 3.17-18) será tirada, de maneira que a terra produza abundantemente. A criação animal será transformada de maneira que perca a ferocidade. Is 11.6-9; 35.9; 65.25 - Rm 8.19-22.
Ø Remoção da Enfermidade - O ministério do Rei como Curador será efetivo durante toda a era, de maneira que a enfermidade e ainda a morte, (exceto como uma medida penal para tratar do pecado evidente) serão quitados. Is 33.24; Jr 30.17; Ez 34.16.
Ø Cura dos Deformados - Junto com o ministério de cura se efetuará a correção de toda deformidade ao iniciar-se o milênio. Is 29.17-19; 35.3-6; 61.1-2; Jr 31.8; Mq 4.6-7; Sf 3.19.
Ø Proteção - Haverá uma obra sobrenatural de preservação da vida na era milenária, que será levada a cabo pelo Rei. Is 41.8-14; 62.8-9; Jr 32.27; 23.6; Ez 34.27; Jl 3.16-17; Am 9.15; Zc 8.14-15; 9.8; 14.10-11.
Ø Liberdade da Opressão - Não haverá nenhuma opressão social, política nem religiosa naquele dia. Is 14.3-6; 42.6-7; 49.8-9; Zc 9.11-12.
Ø Restauração da Longevidade - Com a remoção das enfermidades e das deformidades, será instaurada novamente a longevidade. No milênio será considerada criança uma pessoa com 100 anos de idade. Is 65.20.
Ø Reprodução das Pessoas Vivas - Os santos vivos que entrarem no milênio com seus corpos naturais, gerarão filhos durante toda a era. A população da terra se elevará sobremaneira. Os que nascerem nesta era não serão isentos do pecado, de maneira que a salvação será ainda necessária. Jr 30.20; 31.29; Ez 47.22, Zc 10.8.
Ø Trabalho - O período não se caracterizará pela ociosidade, senão que haverá um sistema econômico perfeito, no qual as necessidades dos homens serão satisfeitas abundantemente pelo trabalho que oferecerá este sistema, debaixo da direção do Rei. Haverá uma sociedade industrializada plenamente desenvolvida, que proverá para as necessidades dos súditos do Rei. Tanto a agricultura como a indústria proverão emprego. Is 62.8-9; 65.21-23 - Jr 31.5; Ez 48.18-19.
Ø Prosperidade Econômica - A situação laboral perfeita produzirá uma abundância econômica nunca vista pela humanidade, de maneira que não haverá falta de nada. Is 4.1; 35.1-2,7; 30.23-25; 62.8-9; 65.21-23; Jr 31.5,12; Ez 34.26; Mq 4.1,4 Zc 8.11-12; 9.16-17; Ez 36.29-30; Jl 2.21-27; Am 9.13-14.
Ø Aumento da Luz - Haverá um aumento da luz solar e lunar no milênio. Este aumento de luz será provavelmente uma das principais causas do aumento da produtividade da terra. Is 4.5; 30.26; 60.19-20; Zc 2.5.
Ø Linguagem Unificada - As barreiras da linguagem serão eliminadas de maneira que possa haver uma livre intercomunicação social. Sf 3.9.
Ø Adoração Unificada - Todo o mundo se unirá em adoração a Deus e ao Messias de Deus. Is 45.23; 52.1,7-10; 66.17-23; Zc. 13.2; 14.16; 8.23; 9.7; Sf 3.9; Ml 1.11; Ap 5.9-14.
Ø Presença Manifesta De Deus - A presença de Deus será plenamente reconhecida e se experimentará a comunhão com Deus em um grau sem precedentes. Ez 37.27-28; Zc 2.2; 10-13; Ap 21.3.
Ø Plenitude do Espírito Santo - A presença e a capacitação divinas serão a experiência de todos os que estarão em sujeição a autoridade do Rei. Is 32.13-15; 41.1; 44.3; 59.19, 21; 61.1; Ez 36.26-27; 37.14; 39.29; Jl 2.28-29; Ez 11.19-20.
Ø Perpetuidade do Estado Milenário - O que caracteriza a era milenária não se considera temporal, senão eterno. Jl 3.20; Am 9.15; Ez 37.26-28; Is 51.6-8; Jr 32.40; Ez 16.60; Dn 9.24; Os. 2.19-23; Is 55.3,13; 56.5; 60.19-20; 61.8.
Quando o reino messiânico estiver completamente estabelecido, haverá um novo nascimento de todas as coisas, chamado uma “RESTAURAÇÃO DE TODAS AS COISAS”.





